quarta-feira, 24 de junho de 2015

Oito.



Escrever é dar voz aos nossos pensamentos
Deixamos de dizer certas coisas por insegurança,
mas escrevo agora com toda a sinceridade
de uma mente solitária, mas jamais vazia.

Teu jeito sensato e admirável de ser
Sentia ao ter o teu corpo junto ao meu,
aquele silêncio no quarto escuro significava
o grito de dois corpos declarando-se
o amor que há entre dois  humanos.

Rescrevo-me todas as vezes
ao me debruçar na varanda
Desenho em uma  folham em branco todas
as marcas daquela tarde
de um sábado chuvoso de junho.

Guardo no bolso aquele papel e
no coração melancólico o gosto do fel
e lembro-me daquele beijo
que me deu antes de irmos ao teatro.

Teu corpo lindo e teu belo rosto
com marcas de solidão,
talvez eram as lentes frágeis
dos teus velhos óculos.

Teus traços dominavam a tua face linda
o teu sorriso era a peça de teatro
mais linda que eu já vi.

O toque de suas mãos macias sobre as minhas,
prevaleceu até o fim do Cosmos e
morreremos em cada verso escrito
ou palavra dita.

Momentos que marcam e que ficam,
lembrados e relembrados por uma mente
que hoje ainda tem vida, mas um dia deixará de existir.
Seremos poeiras restantes  do nosso silêncio.
Thamires Luana C.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Lágrima Bordô (Fome)


Na escola, não tinha lanche e em casa não tinha pão
e o que tinha de alimento a menina deu ao irmão.
Uma lágrima sobre o rosto, mas o menino saboreava aqueles restos
como se fossem frutas suculentas ou um delicioso macarrão.
Que lugar é esse onde a fome assola e a dor desola? 

Trabalhava noite e dia para ter o que comer
e o que restava era permanecer calada e todos os dias ir à luta.
Acordava cedo e agradecia porque ainda tinha forças
para ir à labuta.
Enquanto corruptos roubavam o que era do povo, a criança chorava
 de barriga vazia e quando alguém perguntava
O que mais doía? A resposta era sempre a mesma:
“O que mais dói é a Fome’’

No fim da tarde, debruçada na janela, seus olhos tristes,
mas cheios de esperança observavam o pequeno menino e mais
algumas crianças brincando de cirandinha. A vida é dura, mas a
felicidade de quem se ama é gratificante e sonhar com um mundo
sem fome pode ser irônico, mas não é proibido.
Enquanto uns lutam para poder comer, outros roubam sem dó
e sem querer saber.

A criança deveria,  por direito ir à escola para aprender e não apenas para
comer, mas isso não acontece porque a realidade é dura, não se tem comida
em casa e ansiosamente muitos aguardam o sinal tocar para pelo
menos ter uma refeição ao dia.
O trabalhador deveria ter seus direitos, mas não tem.
O corrupto deveria pagar pelos seus erros e passar necessidades na pele para
vivenciar a realidade que é vivenciada por muitos.

                       Arroz e feijão correm grandes riscos de se tornarem comidas de príncipe
Os políticos corruptos irão aderir a famosa frase de Maria Antonieta:
"Se não têm pão, comam brioches"
Quando roubarem tudo e não terem como nem se quer pagar o salário
do justo trabalhador.
Quem tem, reclama e sempre quer ter mais e quem não tem nada ou quase nada, 
o pouco pode ser sempre o bastante.
O mundo de hoje pode ser definido em apenas uma palavra: status. 
Thamires Luana Cordeiro. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Avidez Feminina

Quero poder sair na rua
E ser bem tratada
E não assediada
Não quero ser rotulada
E sim respeitada


Não quero que gritem
‘’Olha esses peitos’’
Quero que clamem
Pelos meus direitos

Quero que os homens
Deixem-me trabalhar
E parem de me discriminar
Meu sexo não é frágil
Meu sexo é ágil

Quero igualdade
E não superioridade
Quero ter voz
E quero ter vez
Sei enfrentar a dor
Sei desistir do amor
Quero me sentir bem
Com as roupas e os padrões
Que me convêm
Sem ter minha imagem denegrida
Pelas mesmas que são oprimidas
Thamires Luana C.


sexta-feira, 5 de junho de 2015

Saudade



Saudade vai
Saudade vem 
Como é ruim 
sentir saudade de alguém

Um vinho tinto 
Para despertar o instinto 
Marcas de lábios na taça
Sinto o gosto do fel
De quem um dia 
Sentia o gosto do mel

Um grito no vácuo
Procuro o retrato 
Para um sumiço 
Que permanece omisso

Hoje estou aqui sozinha 
Mas tenho dois lugares,
Um ocupado pela tristeza 
E outra pela certeza 
Já sei que você não vem


Thamires Luana C.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

A Alma Triste Até a Morte

Pela janela vejo a rua
pingos de chuvas caem ao chão
sobre a escada uma pessoa morta 
com uma rosa na mão
Sua cicatriz marcante
posso enxergar, mesmo distante
marcas de tombos da vida
que foi muito sofrida
Morrer de corpo
morrer de alma
morrer tão completamente
descasar um corpo, libertar a alma, é ruim?
Escorado em um canto escuro
Deixo meu corpo se molhar
Retirar o sangue de minhas mãos
Dali fito de longe
Olhos atentos em uma janela superior
Seus olhos atentos observo e fico distante
Uma ultima olhada ao corpo ao chão
Hoje já não tenho rosas em minhas mãos
Retornarei pela escuridão
Mas voltarei
Para encarar aqueles olhos do andar superior
Não mais distante então
Próximo meus olhos estarão
Como quem observa a alma no fundo do olhar
Por: Thamires Luana e Eduardo Lima.